Em novembro de 1983, um evento marcante para a pequena Luciana Cella ocorreu quando, aos 4 anos, recebeu de presente de seu pai, Júlio Cella, um argentino, com raízes italianas, um leão batizado de Leôncio. A casa onde este felino viveu, na rua Guarani (que na época era mão dupla), com fundos para a Praia do Itaguá, se tornou famosa na cidade de Ubatuba, sendo carinhosamente conhecida como a “Casa do Leão”.

Além do leão, a residência era um abrigo de animais exóticos e selvagens: uma pantera negra chamada Lola, um tigre, flamingos, periquitos, papagaio, araras, tucanos e até dois pastores alemães conviviam em harmonia. Era um verdadeiro mini jardim zoológico, no coração de Ubatuba.

Naquela época, a legislação permitia que animais exóticos fossem mantidos como estimação, algo que seria impensável hoje em dia devido às normas de bem-estar animal.

O tigre, por exemplo foi resgatado de um circo onde, infelizmente, era mal tratados, veio adulto e com o rabo cortado. O leão, particularmente, era uma criatura dócil e muito amigável, até com os cães.

Os moradores e turistas que passavam por ali ou frequentavam a Praia do Itaguá, que era limpa, se encantavam com os felinos, sendo comum ver veranistas e até excursões escolares se deslocando até a casa só para observá-los. Os animais eram bem tratados e amados pela família Cella, e o IBAMA realizava inspeções periódicas, sempre aprovando as condições do local.

A casa, que hoje abriga a pousada Cavalo Marinho, era uma atração turística em si. Muitas pessoas desviavam o caminho só para ver entre as grades do quintal, Leoncio, a pantera Lola e o tigre, e a convivência entre esses felinos e os outros animais era tranquila. Leoncio, por exemplo, depois de atingir a idade adulta e ficar grande, embora tivesse uma jaula, na maioria das vezes era visto passeando livremente pelo jardim. Já adulto, consumia até 10Kg de carne por dia e um dos seus brinquedos favoritos era um simples pneu, que ele adorava rolar.

A família originária da argentina, veio para Brasil em 1980, morou dois anos em São Paulo, até conhecerem Ubatuba e se apaixonarem pela cidade. Em 1989, devido à mudança para uma nova casa e à necessidade de mais espaço para os animais, Leôncio, a pantera Lola e o tigre foram doados para a Fazenda Bananal, Engenho Morycana, em Paraty (fazenda essa, que não existe mais) onde, infelizmente, Leôncio morreu. Muitos acreditam que ele não foi tratado com o mesmo carinho e cuidado que recebia em Ubatuba, o que fez sua saúde se deteriorar.

As araras e outros animais foram doados para o zoológico do Rio de Janeiro. A casa, no entanto, permaneceu marcada na memória da cidade como a “Casa do Leão”, onde as pessoas podiam ver de perto um pedaço do exótico mundo animal que Leôncio e seus amigos felinos representavam. O fato era tão interessante, que foram gravados dois filmes para as telas de cinema, na casa, naquela época.

Luciana, que mora atualmente em Portugal, guarda com carinho as lembranças dessa época única de sua infância. O pai, Júlio Cella e a mãe Graciela, ainda moram em Ubatuba, o filho Máximo também reside na cidade, e a história registra que a família sempre se dedicou ao bem-estar de seus animais, que foram tratados com amor e respeito. Embora a casa e a fazenda não existam mais, a história do leão Leôncio e dos outros animais continua a fazer parte da memória afetiva de Ubatuba e é certamente uma das Curiosidades de Ubatuba.
Fonte de Informações e Imagens: Luciana Cella
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