Ubatuba – Um pouco de sua história

Ubatuba foi a nona cidade a ser fundada no Estado de São Paulo, e seus primeiros habitantes, os índios guerreiros Tupinambás, a chamavam de Iperoig que tem duas traduções possíveis, pode ser uma corruptela de Ypirú-yg (o rio do tubarão), mas pode também ser uma corruptela da locução iperó-yg (rio das perobas), que são árvores da Mata Atlântica.

Portal de Ubatuba

Muitos personagens da história do Brasil conviveram em suas terras, como o Padre José de Anchieta (que se tornou prisioneiro dos índios), Padre Manoel da Nóbrega, Cacique Cunhambebe, entre outros, no episódio da Confederação dos Tamoios. A cidade teve papel importante nos ciclos econômicos do Brasil, sendo considerada o segundo porto de embarque do ouro de Minas Gerais para Portugal, e no ciclo da cana-de-açúcar alcançou grande prosperidade, chegando a ultrapassar o Porto de Santos na exportação do café para o mundo.

A história de Ubatuba é mais antiga do que se pensava até há pouco tempo, pois pesquisas arqueológicas, realizadas na Ilha do Mar Virado e na Praia do Tenório, comprovaram que os primeiros habitantes de Ubatuba pertenciam a uma etnia indígena, que os arqueólogos chamam de “homens pescadores e coletores do litoral”, que ocuparam a região por volta do primeiro século da Era Cristã, muito antes da chegada dos Tamoios e dos Tupinambás, sociedades indígenas do tronco linguístico Tupi que dominaram grande parte do litoral brasileiro por centenas de anos.

Na história colonial do nosso país, Ubatuba se destaca por um fato que se tornou preponderante para a unidade nacional. Tal episódio, que ficou conhecido como a “A Paz de Iperoig”, contribuiu, de forma inequívoca, para evitar que o Brasil fosse dividido em três regiões distintas, com os extremos norte e sul católicos, falando a língua portuguesa e rezando pelo catecismo de Roma, e o centro, calvinista e de língua francesa (A França Antártica).

EXPEDIÇÃO PACIFICADORA
Ubatuba surgiu da aldeia tupinambá de Iperoig (Ypiru-yg = rio das perobas), região rica de boa madeira para embarcações, das quais, os índios eram habilíssimos canoeiros e construíam grandes canoas de capacidade Ubatuba Tupinambápara até 60 pessoas, e como nadadores exímios, chegavam a nadar quilômetros ao encontro das embarcações que vinham para negociar, em primeira mão o produto pau-brasil. Ubatuba era o quartel general da nação Tupinambá e o domínio desta nação indígena, se estendia desde o Rio Juqueriquerê, em Caraguatatuba, até o Cabo de São Tomé, próximo ao Espírito Santo. Faziam divisa com o povo Tupiniquim ao sul, e ambos viviam em paz até a chegada dos exploradores europeus (de Portugal e França) que os instigaram a lutar pelos interesses colonialista, mercantilista e escravagista.

Os índios que pertenciam à tribo Tupinambá, do grupo Tupi, habitavam todo o litoral brasileiro e falavam a língua tupi-guarani. Durante muitos anos foram considerados ferozes e agressivos mas a posição das suas aldeias no alto dos morros ou à margem dos rios, demonstrava sua preocupação com a defesa e não com o ataque. Os franceses mantinham relações de escambo com os Tupinambás, e os incitaram contra os portugueses. Os portugueses mantinham relações de escambo com os Tupiniquins e procuravam escravizar os Tupinambás.

A PAZ DE IPEROIG
Após sucessivas desavenças entre os Tupinambás e os portuguesea, o
s jesuítas Manoel da Nóbrega e José de Anchieta decidiram procurar os indígenas em seu próprio reduto (em Iperoig) a fim de tentar uma paz duradoura. Depois de Hans Staden, foram estes padres, os primeiros brancos a visitar o importante aldeamento tamoio. Não confiando nas propostas dos jesuítas, os indígenas mantiveram Anchieta como refém, enquanto Nóbrega seguiria para Santos, acompUbatuba Padre Anchietaanhado de alguns selvagens, para negociar o armistício. Foi durante o cativeiro que Anchieta escreveu, nas areias da praia, os 5.732 versos do seu Poema à Virgem.

A Paz  de Iperoig, conhecida como a pacificação dos tamoios, foi assinada pelos portugueses e os índios em 14 de setembro de 1563, e uma cruz assinala, hoje, na Praia do Cruzeiro, o local do acontecimento. Este tratado, teve como causa indireta, a expulsão dos franceses, a fundação do Rio de Janeiro e consequentemente da manutenção da integridade territorial do Brasil. A participação decisiva destes padres jesuítas, na negociação da paz com as tribos que integravam a Confederação dos Tamoios, explica, e mais do que justifica a legenda “Conservou a Unidade da Pátria e da Fé”, gravada em latim no brasão de armas de Ubatuba.

COLONIZAÇÃO
Por volta de 1600, Iperoig despertou o interesse dos europeus, porém passou por um processo de ocupação totalmente diferente daquele que tiveram Caraguatatuba, Ilhabela e São Sebastião. Ao contrário dessas três cidades, que pertenceram originalmente ao território da Vila do Porto de Santos, Ubatuba (Iperoig) teve todo o seu processo de colonização ligado ao Rio de Janeiro, sendo que o responsável pela fundação de Ubatuba, o governador do Rio de Janeiro, Salvador Correia de Sá e Benevides, Visconde de Asseca, sobrinho neto de Mem de Sá.

Para viabilizar a ereção da nova vila, Sá e Benevides destacou o açoriano Jordão Homem da Costa, cuja família, até então, estava envolvida no cultivo de cana-de-açúcar no Rio de Janeiro. Sobre o local que, no passado, abrigara a aldeia de Iperoig, Homem da Costa tratou de providenciar as condições mínimas exigidas à época pela Coroa Portuguesa para que o pequeno povoado ali existente pudesse ser elevado à condição de Vila. Dentre essas condições estava a construção da Câmara, da Cadeia e da Igreja. O local para servir de sede da nova Vila foi escolhido pelos povoadores levando em conta os mesmos motivos que induziram os indígenas a ali estabelecerem sua aldeia.

UBATUBA ELEVADA À VILA
O local escolhido, foi a área de planície, estrategicamente localizada na Enseada de Ubatuba, abrigada de grandes ondas e também dos ventos fortes. Concluídas as obras, a oficialização da ereção daquela que seria, pela ordem cronológica, a nona Vila da Capitania de São Vicente, foi determinada por Sá Benevides através de provisão datada de 28 de outubro de 1637, recebendo a denominação de Vila Nova da Exaltação da Santa Cruz do Salvador de Ubatuba. A ereção da nova Vila, que teve Homem da Costa como primeiro capitão-mor e ouvidor, ocorreu logo no ano em que Sá Benevides assumiu o primeiro de seus três mandatos como governador geral da Capitania do Rio de Janeiro.

O nome de Vila Nova da Exaltação à Santa Cruz do Salvador de Ubatuba, por si só, demonstrava a ligação íntima entre a fé católica e a origem colonial da cidade, depois chamada simplesmente Ubatuba em 1855. A antiga Vila ganhou status de cidade, passando por enorme desenvolvimento, quando foram construídos os grandes casarões que marcaram o apogeu de Ubatuba, a maioria dos quais foram sacrificados em nome do progresso.

No auge do ciclo econômico cafeeiro, no quarto final do século XIX, Ubatuba chegou a ser o município mais rico da Capitania de São Paulo, graças a seu porto. Após esse pouco período de extrema pujança econômica, a cidade enfrentou quase um século de estagnação, com a maioria da população caiçara sobrevivendo da roça familiar e da pesca de subsistência.

O MAIOR PORTO DO PAÍS
Em 1787, uma ordem do Presidente da Província de São Paulo, obrigando as embarcações a passarem pelo Porto de Santos onde as mercadorias tinham menor preço, desestimulou os produtores arrefecendo a economia local. A chegada da Família Real, em 1808, abrindo os portos brasileiros às nações amigas beneficiou Ubatuba que retomou seu desenvolvimento passando, inclusive, a exportar a produção de várias cidades do Vale do Paraíba transformando-se no maior porto de São Paulo superando até mesmo o Porto de Santos.

PARTICIPAÇÃO FRANCESA
A partir de 1870, um acontecimento do Velho Mundo passou a influenciar a vida do município. Antes que deflagrasse a Guerra Franco-Prussiana, dezenas de famílias de nobres franceses transferiram-se com seus cabedais para Ubatuba, onde compraram grandes extensões de terras e organizaram fazendas, entregando-se ao cultivo do café, do fumo, da cana-de-açúcar, de frutas tropicais, de especiarias como a pimenta-do-reino e o cravo-da-índia. Alguns montaram olarias, outros ingressaram na Marinha Imperial, e em Ubatuba, construíram mansões senhoriais e um teatro.

PRIMEIROS ITALIANOS
Em 1874, uma certa Clementina Tavernari, de Concórdia de Modena, regressou do Brasil Imperial, onde era conhecida como Adelina Malavazi, com a incumbência de recrutar cinquenta famílias de lavradores do norte da Itália. A intenção era fundar, na então província de Santa Catarina, um núcleo colonial que seria denominado Maria Tereza Cristina em homenagem a Sua Majestade a imperatriz, de origem italiana e casada com D. Pedro II. Trata-se do primeiro experimento de colonização italiana no país.

Enrico Secchi o professor que auxiliou como secretário Clementina Tavernari no recrutamento das famílias, acompanhando-as durante a viagem e permanecendo no Brasil, descreve sua chegada ao Rio de Janeiro e outras aventuras, entre elas:

“… na volta ao Rio de Janeiro, Enrico Secchi foi convidado a entender-se com Joaquim Ferreira da Veiga, servidor público e proprietário de uma grande fazenda chamada Picinguaba, no município de Ubatuba, ao norte da então província de São Paulo. Conseguiu a permissão oficial para retirar da hospedaria dos imigrantes cerca de 30 famílias há pouco chegadas da Itália, provenientes de Mántova, e também o transporte para a localidade. Um contrato foi feito com o proprietário, liquidando seus outros negócios e afazeres, dirigiu-se à Ubatuba, saiu recomendado pelo Cônsul Italiano em São Paulo: deve-se ao sobredito Enrico Secchi um elogio por ter mostrado o máximo zelo em seu encargo…

A viagem a Ubatuba, em 1887, foi a bordo do piróscafo(*) Sepitiba, passando pelos portos de Mangaratiba, Angra dos Reis e Paraty. Na chegada, foram recebidos pelo capitão Assunção que retornara do Paraguai, pelo senhor Veiga pai, Carlo Usiglio e grande número de pescadores residentes no local. Os colonos receberam lotes para trabalhar no plano e na montanha. Os dias, semanas, transcorreram na máxima calma, o trabalho se desenvolvia bem nas lavouras começadas.

Eis que uma forte maré inundou a parte plana e as águas entraram nas casas, somente por milagre foi possível salvar a vida de todos. Houve grande pânico e um desânimo tal que boa parte abandonou o local rumo a São Paulo, outros voltaram ao Rio de Janeiro e dali foram despachados pelo Governo Imperial ao núcleo colonial Rodrigo Silva, perto de Barbacena, em Minas Gerais.

Os que ficaram em Ubatuba cultivaram cana cuja colheita perdeu-se por não estarem prontos os alambiques prometidos, o pessoal desanimou. Enrico, a mulher e duas filhas tiveram uma saída de Ubatuba muito sofrida, obrigados a atravessar a pé a Serra do Mar para alcançar o Porto Paraty e daí embarcar num pequeno piróscafo(*) para o Rio de Janeiro.”

(*) Piróscafo: Nome primitivo do barco a vapor.

APOGEU
No final do século XIX, que marcou, também, o final do Império, o crescimento de São Paulo agigantou-se. O Norte do Estado, com o Vale do Paraíba, tornou-se verdadeira potência econômica. E o Sul de Minas, região vizinha, acompanhou esse surto de progresso. Ubatuba tornou-se o porto exportador por excelência dessa rica região econômica, onde imperava o café. Como porto de grande movimento, era o ponto final, litorâneo, da chamada “rota do café”, vinda do Sul de Minas e do Vale do Paraíba.

Por este porto, no período áureo de florescimento econômico, entraram mais de 70 mil escravos. Tão intenso era o seu comércio ultramarino que muitos consulados estrangeiros aí se instalaram, para o serviço de vistos. Houve um período em que 600 navios transatlânticos entravam anualmente no Porto. Ubatuba figurava à frente dos municípios de maior renda da Província. Até a primeira máquina de tecelagem do Estado foi importada por Ubatuba para Taubaté.

As ruas fervilhavam de gente da terra, viajantes, negociantes, tropeiros, aventureiros e demais forasteiros; nos solares, as festas e bailes adquiriam quase que o mesmo esplendor e luxo da Corte; no seu teatro, afamadas companhias nacionais e estrangeiras, de passagem para outras cidades portuárias de importância, nele representavam dramas, comédias e até óperas mais em voga; e, também, cultuavam-se as Musas – no célebre Ateneu Ubatubense, que funcionava como escola e centro literário, dispondo de notável biblioteca de mais de 5.000 volumes apresentados em bem impresso catálogo, grande parte dela doada por S. M. Sereníssima, o Imperador Dom Pedro II.

DECLÍNIO
A marcha do café para o Oeste, para as regiões de Jundiaí e Campinas, à procura de terras virgens e férteis e a construção das ligações ferroviárias Rio de Janeiro – São Paulo e São Paulo – Santos e do Porto de Santos, fizeram definhar a antiga estrada da “rota do café”, que do Sul de Minas demandava o Porto de Ubatuba, e, naturalmente o próprio porto e cidade. A decadência também é atribuída à ordem do Capitão Bernardo José de Lorena, que, intercedendo a favor do porto de Santos, determinou que todas as embarcações em demanda do litoral paulista tocassem em Santos, porto até então abandonado e privado de contados comerciais.

Querendo ainda frear a decadência advinda das transformações econômicas que se haviam operado na Província de São Paulo, os grandes proprietários da região ubatubense (sobretudo os franceses) reconheceram que apenas uma providência poderia salvar o porto, a cidade e, por conseguinte, os seus interesses, um ramal ferroviário que ligasse Ubatuba a Taubaté, no Vale do Paraíba, e, dali, alcançasse o Sul de Minas Gerais. Só assim Ubatuba conseguiria manter sua posição de porto regional, exportador da produção do Vale do Paraíba e da região Sul-Mineira.

No dia 28 de setembro de 1890, tiveram início as obras de construção. Entretanto, com a falência do Banco de Taubaté, que apoiava o grupo interessado no empreendimento, malogrou-se a iniciativa. As obras, cerca de 80 quilômetros de estrada construída e material ferroviário, foram abandonados. Alguns anos depois, houve uma tentativa infrutífera de concluir a estrada. Em 1917, novo grupo financeiro pleiteou o privilégio da construção da importante via de comunicação. Como das vezes anteriores, não houve resultados práticos.

RESSURGIMENTO
A partir de 1933, com a abertura de uma estrada de rodagem entre Ubatuba e São Luiz do Paraitinga, aproveitando o velho caminho das tropas, fez com que a cidade fosse descoberta para o turismo, iniciando-se novo surto de desenvolvimento. A estrada Caraguatatuba-Ubatuba, aberta em 1954, reduziu consideravelmente o tempo de viagem. Visitantes, encantados com as belezas naturais da região, ali começaram a passar as férias, adquirindo terrenos para construção de suas casas de praia. A construção da Rodovia Rio-Santos (BR-101), abriu para Ubatuba excelentes perspectivas econômicas, e o aproveitamento de uma das regiões turísticas mais belas do país.

ESTÂNCIA BALNEÁRIA
Depois de um longo período, após a Revolução Constitucionalista de 1932, com o objetivo de integrar a região, cujo isolamento ficou patente no conflito, o Governo Estadual promoveu melhorias na Rodovia Osvaldo Cruz (Ubatuba – Taubaté), Ubatuba despertou para o turismo sendo declarada Estância Balneária pela Lei Estadual n° 163 de 27 de setembro de 1948 alcançando fama e prestígio nacional e internacional passando a cidade a contar com uma ligação permanente com o Vale do Paraíba. Aos poucos, Ubatuba começa a desenvolver a sua vocação turística.

Na década de 70, com a abertura da Rodovia Rio-Santos (BR 101) a cidade foi descoberta pelos turistas. O Brasil inteiro se encantou Ubatuba Tangará Dançadorcom as belezas naturais que encontraram: mais de 100 praias, ilhas, baías, rios, cachoeiras, trilhas, a Mata Atlântica, enfim, natureza pura. O recorte do litoral na região, é um capricho dos deuses, e em qualquer época do ano, Ubatuba tem um clima agradável e ainda um povo alegre, hospitaleiro e amigo.

Na Ubatuba tropical do século XXI tudo é superlativo. Dos quatro municípios que formam o Litoral Norte, Ubatuba é o maior em termos de território, em extensão da orla marítima, em número de praias e ilhas, e, verdadeira dádiva, em espaço territorial preservado. Nesta região concentra-se a maior porção de áreas protegidas do litoral paulista, remanescentes da Mata Atlântica, um dos biomas mais ameaçados do planeta mas que terá sua preservação assegurada para as gerações futuras, graças à existência de Unidades de Conservação da Natureza e ao tombamento da Serra do Mar. A Ubatuba dos dias de hoje tem como principal atributo a qualidade de vida e tornou-se um polo especialmente atrativo para aqueles que amam a natureza, com destaque para os praticantes do Surfe, Bouldering e esportes de aventura em geral, para os quais a cidade tornou-se a verdadeira capital.

A Canoa – Símbolo do Caiçara Puruba - Canoas
Até hoje a canoa é um importante instrumento de trabalho para os caiçaras, e veja esta curiosidade de antigamente: “O caiçara ao pedir a mão de uma moça em casamento, o pai da moça consentia mediante os seguintes dotes do rapaz: uma roça de mandioca, uma plantação de bananas e uma canoa. Sem a canoa, o caiçara ficava solteiro pro resto da vida”

Fonte de informações:
http://www.ubaweb.com/ubatuba/historia/index.php
http://ubatubense.blogspot.com.br/2008/09/um-pouco-da-histria-de-ubatuba-sp.html