A Praia Grande do Bonete faz parte da Trilha das 7 Praias (Lagoinha até Praia da Fortaleza), e partindo do canto esquerdo da Praia da Lagoinha são cerca de 55 minutos de caminhada.

Praia Grande do Bonete

Outro acesso por trilha para esta praia pode ser feito através da Praia da Fortaleza diretamente, por uma trilha íngreme, uma forte subida e consequente descida até a Praia Grande do Bonete realizada em cerca de 40 minutos. No canto esquerdo temos a continuação da Trilha das 7 Praias, para as belas Praias do Deserto, Cedro do Sul e Fortaleza, trilha usada por índios, negros, e posteriormente, por europeus colonizadores.

Praia Grande do Bonete

A Praia e a Comunidade
No local temos algumas casas de veraneio e uma Comunidade Caiçara que mantém a tradição na realização de festas típicas e corrida de canoas. É uma praia de tombo, areias claras, com cerca de 2 Km de extensão, com ondas razoáveis, principalmente em períodos de ressaca. Seu canto esquerdo é maravilhoso para um mergulho de snorkel e para a pesca com vara, para um banho relaxante, e para as crianças um paraíso. Conta com bares e restaurantes rústicos, e em sua frente temos uma visão próxima da Ilha do Mar Virado, sítio arqueológico onde foram descobertos vestígios de uma civilização de 2000 anos atrás.

O visitante quando está em cima da trilha, vê a maravilha que é o lugar, e por vezes as águas lembram muito mais as águas do Caribe, com suas águas verde-claras (o que é um atrativo a parte), sendo possível avistar tartarugas próximos às pedras, de tão límpida que são. No canto direito da praia, na costeira existe uma caverna, onde pescadores a utilizam como abrigo e curiosos imaginam quem poderia ter morado ali. Existem ainda alguns ranchos de canoas e uma pequena barra de rio, espaço que serve de palco de partidas de futebol de areia e dos encontros costumeiros.

Como não tem rua, a disposição dos acessos é bem interessante, grande parte tem nomes de peixes da região e é conduzida por plantas muito bem cuidadas nas laterais. Ao centro da localidade uma Capela, que guarda uma belíssima imagem de Cristo feita em bronze confeccionada pelo artista Alberto Frioli, em sua antiga fundição de bronze na Praia do Perez, e em frente à escola existe uma área para as festividades.

Praia Grande do Bonete

Festividades e História
Tendo como padroeiros São Sebastião e Nossa Senhora de Santana, a Praia Grande do Bonete já foi palco de grandes festividades e roças, que produzia principalmente mandioca, cana, banana, café, frutas e plantas de uso medicamentoso, como o chá preto. Como toda pequena vila de caiçaras, o tempo, e as atividades cotidianas eram movidos pelo calendário dos períodos de colheita e pesca e também o religioso. O local guarda muitos resquícios de seu passado glorioso, a festa de janeiro, a corrida de canoa, a receptividade, o jeito de falar, de caminhar, a interação com a natureza, manutenção do lugar, a defesa de seus patrimônios e por vezes a volta de seus filhos.
As pescas eram intercaladas com a agricultura, seguindo uma tradição de respeitabilidade com os ciclos naturais de procriação de animais do mar e da terra. Era comum o morador possuir a casa em frente à praia e trabalhar no “sertãozinho”, que era a várzea e os morros, e as casas eram baixas por conta dos ventos, janelas pequenas de tramelas e piso de tablado, principalmente na sala (maior espaço da residência), onde acontecia os “bate-pé, a função e a catira”.

 

A Praia Grande do Bonete foi um dos melhores lugares para as atividades de bate-pé: Benedito Antunes de Sá, morador da Praia da Caçandoca disse certa vez, que lembrava bem das danças: “Quando víamos a fumaça subir no canto da Praia Grande era o sinal para a função, as pessoas se reuniam na Caçandoca e se dividiam em grupos, os homens iam a pé, as mulheres de canoa, só no outro dia é que as pessoas voltavam, era uma noite inteira de festanças”. Moradores da Maranduba, sertão da Quina, Araribá, Rio da Prata, Tabatinga, Fortaleza e Praia Dura participavam das festividades. O povo da Praia Grande do Bonete através de sua cultura e história manteve os laços do processo civilizatório nacional, o que acontece até hoje, seja nas festividades, no jeito de falar ou até no jeito de andar.

 

Mar do Caribe
O local guarda muito mistério e belezas naturais, um desses mistérios fora relatado através da tradição oral, que narra a história de um objeto estranho, semelhante a um “cachimbo gigante”, que fora retirado das águas, ocorrido durante a década de 1930, e que na época os moradores foram proibidos de saírem de suas casas. Tal peça foi içada por um navio da marinha americana e na ocasião um fotógrafo americano que estava na Praia das Toninhas, tirou algumas fotos e também foi levado, sendo que nunca mais o viram, e as especulações informam de que se tratava de um OVNI.

 

“O Projeto da Estrada”
Com as necessidades de melhorias, a comunidade havia solicitado a SUDELPA – Superintendência do Desenvolvimento do Litoral Paulista a abertura de uma estrada costal da Lagoinha até a Praia Grande do Bonete. O processo é o SPFU/3780/77, que em parceria com a Prefeitura Municipal deu andamento no pedido. De inicio havia um abaixo assinado de 158 pessoas solicitando a obra e que custaria aos cofres públicos CR$ 2.000.000,00 (dois milhões de Cruzeiros), orçada em 1986, conforme relatório 624 de 1986. O alto valor da obra fez com que o processo demorasse, tempo o suficiente para a comunidade desistir da idéia. O processo durou de 1977 até 1986. Mesmo sem a estrada, moradores trazem o lixo de barco voluntariamente, por isso devemos trazer o nosso lixo, já que o lugar com ares de paraíso não combina com lixo e com qualquer tipo de depredação.