Praia da Caçandoca

Quem procura uma praia retirada, tranquila e com uma deslumbrante vista para a Baía do Mar Virado, deve conhecer a Praia da Caçandoca. O acesso é feito por uma estrada de terra a partir do Km 77,5 da rodovia Rio-Santos. No início do trajeto temos um “belvedere” natural com visão da Baía da Maranduba, suas ilhas, as praias e toda a enseada, um ponto de parada obrigatório para fotos e filmagens.

Praia da Caçandoca

Percorrendo os 4,5 Km de muitas curvas, buracos, pedras e erosões na pista, ao final da “estradinha” o visitante depara-se com um grande descampado que vai até a Praia da Caçandoca, com suas areias brancas, os Jundus em sua orla e árvores centenárias. A infraestrutura local conta com alguns quiosques, e o visual impressiona, pois é um paraíso quase intocado, sem construções.

Praia da Caçandoca

Do seu canto esquerdo, parte uma trilha rápida que leva até a Praia do Pulso e no canto direito um pequeno riacho marca o início de uma outra trilha histórica (subindo uma formação rochosa) que leva até a Praia da Caçandoquinha, e na sequência do percurso, dá acesso a beleza selvagem das Praias da Raposa, do Saco das Bananas, do Frade ou Simão, da Lagoa, da Ponta Aguda, da Figueira e das Galhetas, conhecida como Trilha do Saco das Bananas ou Trilha das 10 Praias.

A Região da Caçandoca tem muita história, faz parte da área legalizada como pertencente aos quilombolas, remanescentes das comunidades da época do período de escravidão. O Quilombo da Caçandoca conta com 890 hectares, e o Centro Comunitário Flavio Firmino dos Santos, e caso visite o local, não deixe de ouvir e aprender com moradores locais, um pouco mais sobre suas estórias e a história de Ubatuba.

O Quilombo da Caçandoca
A escravidão dos negros no Brasil, durou mais de 300 anos e durante este período houve resistência, e os que fugiam formavam os mocambos ou quilombos como são mais conhecidos. O Quilombo da Caçandoca é o mais antigo do litoral norte e encontra-se num dos lugares mais belos do Brasil. A escravidão só teve fim no ano de 1888 (através da Lei Áurea), mas muito tempo antes os negros já lutavam por sua liberdade.

Depois da fuga era preciso aprender a viver em comunidade na mata desconhecida, e enfrentar diversas expedições de recaptura e morte de negros. A história dos remanescentes de quilombos, como o da antiga Fazenda Caçandoca, mostra que a luta foi árdua, mas foi vencida, e esta parte da história é passada de pai para filho, netos e bisnetos, mantendo acesa a memória da comunidade quilombola.

Praia da Caçandoca e Igreja

Curiosidades
A palavra “quilombo” tem origem africana, da língua banto (kilombo) e significa acampamento, fortaleza de difícil acesso, onde negros que resistiam à escravidão conviviam com brancos pobres e indígenas. O banto teve origem em países africanos como Angola, Congo, Gabão, Zaire e Moçambique.

A palavra “Caçandoca”, apesar de ser relacionada à casa devido ao sufixo “oca” (casa em tupi-guarani), significa “gabão de mato” numa referência ao país do centro-oeste africano Gabão. O que define um quilombo é o movimento de transição da condição de escravo para a de camponês livre. Suas duas principais características não foram o isolamento e a fuga e sim a resistência e a autonomia.

 Praia da Caçandoca filmada por drone por Gilmar de Oliveira (Canal: https://www.youtube.com/user/justerbr):